Alguém disse por ai que são duas as forcas que impulsionam o mundo. Que uma delas é a culpa e a outra é o medo.
Quando era apenas uma criancinha eu acostumava a ter pânico da bola. Não, não leram mal. Era efetivamente terror do esférico. O medo era que caíra na minha cara e quebrara o meu nariz. Acho que estava relacionada com a dor, a dor física. Até lembro que o medo não me permitia agir. Quando eu sentia que a bola se aproximava a mim, eu ficava quieta com os olhos fortemente fechados e as mãos cobrindo o meu rosto. Eu até me abstinha de participar em qualquer jogo que envolvesse a bola. Quer dizer que aquele sentimento conseguia me puxar do mundo, me impedia sociabilizar normalmente. O tempo passou e consegui superar aquele apavoramento da bola e até cheguei a gostar de jogar com ela.
Mas o medo nunca se separou de mim. Ele mudou sim. Já com o decorrer do tempo ele não estaria ligado a uma simples bola, mas a outras coisas, mais importantes, coisas de gente grande. Contudo, percebo que o mecanismo de ação é sempre o mesmo. A gente tem a sensação de que algo, contrario ao nosso desejo pode-nos acontecer e que esse acontecer vai acabar nos causando dano. Isto - a sensação digo - pode ser totalmente imaginário e arbitrário e, de fato normalmente o é.
É claro que eu respeito totalmente o medo de cada quem. Serão com certeza, todos completamente justificáveis. Nada comparado a aquele tal medo pueril da bola nem coisa nenhuma. A gente está falando é de coisa séria. Falando de medo a perder o poder, o dinheiro, medo de sentir e depois sofrer. Esses medos justificam qualquer ação com tal de poder evitá-los. Ações que possam incluso ferir aos outros. Todo isso não tem importância, o objetivo é evitar a gente de sair magoado o de ver cumprida aquela terrível possibilidade.
Pessoalmente costumo fugir o maior possível da situação que me provoca aquele pânico. Essa é a minha reação. Fugir (pode incluir também a negação) até o tempo me enfrentar indefectivelmente com ele. Até esse instante eu miro para outro lado, escapo. Prezava-me, antes, de nunca ter ferido ninguém com aquelas decisões, que a vida tinha me obrigado a tomar na última hora. Agora já não estou tão segura disso. Hoje eu sei que a gente pode ferir até sem desejá-lo, porque eu já fiz pessoas chorarem por minha causa e eu não queria isso. O medo é culpado de tudo, não a gente. Mas é melhor falar baixinho porque o medo é tão medroso que a gente tem medo incluso de falar o nome dele, de admitir que o esteja sentindo. É melhor inventar alguma outra escusa lógica e se aferrar a ela com todas as forcas possíveis não seja que percamos o último que se poderia perder nesta vida, o orgulho.
lunes, 29 de septiembre de 2008
Aquela maldita bola
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